Embora o termo Gerenciamento de Áreas Contaminadas tenha sido formalmente cunhado em 1999, com a publicação do Manual de Gerenciamento de Áreas Contaminadas (CETESB-GTZ, 1999), as atividades relacionadas ao tema tiveram início no Brasil em meados da década de 1980. Decorridos 40 anos de experiência no tema, há muitos fatos relevantes para serem comemorados, entre eles a existência de procedimentos técnicos consolidados, de uma sólida base legal, de um significativo número de empresas e de profissionais especializados e de uma importante e diversificada rede de prestadores de serviços.
Mas o assunto é complexo e sempre haverá espaço para inovações, sejam tecnológicas, sejam relacionadas à gestão.
Nesse cenário, caracterizado por um mercado bem estabelecido em determinados estados e em expansão em outros, à procura de eficiência e eficácia no gerenciamento das áreas contaminadas, é que surge a Revista GAC, idealizada dentro da parceria firmada entre o Centro Universitário Senac e a AESAS – Associação Brasileira das Empresas de Consultoria e Engenharia Ambiental, com o objetivo principal de proporcionar a disseminação de conhecimentos relativos aos vários assuntos que permeiam o tema áreas contaminadas.
A Revista se propõe, desta forma, a canalizar as experiências e o conhecimento teórico dos profissionais que atuam tanto no mercado como nas universidades e órgãos governamentais, pela publicação de artigos técnicos, pela promoção de discussões de temas desafiadores na seção Diálogos, e pela divulgação de comentários sobre as publicações na seção Fórum do Leitor, que por razões óbvias será somente publicada a partir do segundo número da Revista.
Nesta primeira edição são publicados nove artigos que discorrem sobre variados temas. Silva e Giacheti apresentam um didático passo a passo relativo ao uso de ferramentas de geoprocessamento no planejamento de atividades e na obtenção de dados. Zuben apresenta uma minuciosa análise sobre a evolução do processo de investigação de áreas contaminadas. Galhardi et alii abordam a sustentabilidade aplicada à remediação, discorrendo sobre a aplicação de uma ferramenta originalmente desenvolvida para quantificar a emissão de gases de efeito estufa (GEE). Contaminantes emergentes foi o tema abordado em dois trabalhos. Soares elabora uma revisão sobre as pesquisas desenvolvidas no país sobre PFAS, proporcionando uma ampla visão do cenário nacional relativo ao tema, enquanto Galhardi et alii discorrem sobre a persistência do uso de sulfluramida no combate a formigas cortadeiras no país, o que contribui para a ocorrência de PFOS no ambiente. Souza et alii discorrem sobre o emprego de espumas de surfactantes associado a diferentes técnicas de remediação. Freitas et alii expõem uma motivadora experiência relacionada ao estabelecimento de um sistema de gestão de dados ambientais envolvendo o trabalho voluntário de diferentes empresas privadas, órgão de governo e instituição acadêmica, tendo como tema a avaliação do fator de atenuação empregado nos estudos de intrusão de vapores. Chen et alii avaliam diferentes estratégias destinadas ao tratamento de vapores gerados em sistemas de tratamento térmico in situ. Fechando os artigos, Maluf et alii apresentam os resultados de um estudo comparativo de métodos aplicados à avaliação da intrusão de vapores tendo as utilidades subterrâneas como caminhos preferenciais.
Na seção Diálogos a discussão sobre o gerenciamento de áreas contaminadas complexas com três experientes profissionais que atuam em diferentes áreas do GAC revela as lacunas ainda existentes sobre o tema na legislação ambiental vigente, a ausência de políticas públicas e a dificuldade de implementação das diretrizes decorrentes de raras e positivas experiências vivenciadas no país.
Como pode-se verificar, há uma ampla diversidade de temas percorridos nessa primeira edição da Revista GAC. Desejamos a todos uma boa leitura e agradecemos a todos os que estiveram envolvidos com a viabilização desta primeira edição da revista.
RODRIGO CUNHA — SENAC – Coordenador
THIAGO GOMES — AESAS – Presidente